domingo, 16 de dezembro de 2012

A Familia Zuanon, a familia da nonna Giulia



Eu gosto do sobrenome Zuanon, porque segundo já me disseram tenho muito da personalidade da minha bisavó, que tinha esse sobrenome. A nonna Giulia possuía raciocínio rápido, mas rabugenta e um tanto quanto crítica. Ou seja, uma versão de mim usando saias, penso eu.

Poucos Zuanon vieram para o Brasil, ficou bastante fácil estudar esse ramo da minha árvore genealógica. É uma história de pessoas interessantes e que contribuiram bastante aqui para a região.

Minha mãe diz que ela e seus irmãos, junto com os primos adoravam enfurecê-la (o que não era tão difícil assim), apenas para ouvirem ela xingando em italiano. Outra coisa que minha mãe se recorda é ela, na porta de casa usando a mão como uma aba de boné para oferecer sombra aos olhos e assim tentar enxergar no horizonte os ingratos filhos que ainda não tinham chegado para o almoço do domingo.

Ao mesmo tempo que as vezes ela era um pouco ranzinza, era também uma mulher muito competente: numa época onde a mortalidade infantil era algo relativamente comum, ela perdeu apenas 1 de seus 13 filhos, chegando todos os outros 12 à idade adulta. Foram filhos: Antonio, José, Antonia, Enriqueta, Odete, Amelia, Salviano, Angelo, Pierina (a mais velha), João, Olívio e Pedro, o caçula e meu avô. Faleceu um menino logo após o nascimento, que também se chamava Pedro. Ela repetiu o nome no meu avô.

Ela deixou muitas histórias, como que meu avô foi descoberto comendo embaixo da mesa os ovos cozidos que seriam usados para rechear os frangos assados para a festa de casamento de um de seus irmãos mais velhos (que eram muitos), e segundo reza a lenda, ela defendeu seu caçula com unhas e dentes, mesmo estando errado. Outra é que seu marido, meu bisavô Lino comprou de presente para a minha avó  Iolanda  que estava grávida um corte de tecido (de gosto duvidoso) para confecção de um vestido, mas tudo escondido pois ela achava um absurdo tamanha bondade. Enfim, essa era Giulia Zuanon, uma típica figuraça, arquétipo da nonna Italiana ranzinza. Também era muito devota de Santo Antonio.


Apesar dessa rabugice, tinha de certa forma sua boa generosidade. A foto abaixo, além dela viúva e estão a tia Amelia, o Tio Olivio e meus avós Pedro e Iolanda (o cabelo da minha avó Iolanda está semelhante a um vespeiro), e alguns membros de uma família japonesa, recém imigrada a qual a nonna esteve ao lado, sendo seu sobrenome Murakami se não me engano. O destaque da foto, além do penteado da minha avó eram os trajes típicos da senhora simples Italiana: vestido e lenço escuros, numa sobriedade eterna, parecendo um luto permanente.


Giulia era filha de Angelo Zuanon e Enrichetta Antonelli, sendo nascida em Santa Giustina in Colle (cujo brazão está acima), província de Padova em 27/06/1883. Tinha outros 3 irmãos: Paola Angela (que em alguns documentos foi chamada Paolina), nascida em 25/09/1879, Francesco Giuseppe, nascido a 03/03/1879 e Corrado, nascido em 23/05/1880. Corrado parecia ser o irmão mais próximo da minha nonna, não sei o porque.

Dos irmãos da nonna consegui bastante informações. Paolina, se casou no Brasil com Ferdinando Menegatti, e constatei que chegaram a andar pelos lados de Jaú. Sei que ela também tiveram  um filho chamado Angelo, nascido em 26/06/1900 em Cravinhos, sendo padrinhos de batismo seu tio Corrado e Capelli Filomena. Não tenho dados sobre falecimento dela.

Francesco Giuseppe se tornaria simplesmente José, se casaria com Maria Pegorari (ou Pecorari) em Cravinhos em 23/06/1899. Dela, consegui descobrir que nasceu em Taglio di Po, Rovigo. Ele faleceu em 11/03/1959 e ela em 16/02/1975, ambos em Itápolis/SP, e se não em engano foram comerciantes. Tiveram como filhos ao menos Giulia, Lino, Paulo, Jose, Herminia, Corrado Sobrinho.

Há muitos dados sobre a família no site da Prefeitura de Itápolis, e merece destaque Corrado Sobrinho, que foi presidente do Oeste de Itápolis, clube de futebol. Seguem fotos suas, duas com o time de Itápolis.





Sobre Corrado (tio), pouco sei. Se casou com Amelia Scaglia em 22/11/1902. Não tenho mais dados sobre ele. Parecia ser muito querido da nonna Giulia e que morou assim comum toda a família na Fazenda Buenópolis, em Cravinhos/SP.

Hoje há muitos Zuanon, em Araraquara, Itápolis, Cravinhos (descendentes de Corrado???), Ribeirão Preto, etc. Também constatei que muitos anos após eles chegarem no Brasil, outro Zuanon desembarcou em Santos, de nome Luigi, a qual não sei o grau de parentesco.

Eu não faço idéia de onde faleceram Angelo Zuanon e Enrichetta Antonelli, meus trisavós. Outro mistério a desvendar. Sobre Enrichetta, merece um capítulo a parte - Na minha família, temos uma característica curiosa: ou são todos muito aplicados aos estudos ou são uma verdadeira negação nos estudos. A parte inteligente provavelmente descende dela, com certeza uma mulher a frente de seu tempo. Mostrarei isso em outro post.

Minha nonna e meu nonno se casaram em 06/10/1900 na cidade de Cravinhos, a qual detalharei em outro post de maneira mais adequada.

Giulia faleceu em 14/02/1961 em Pradópolis, vítima de complicações decorrentes da quebra do fêmur em uma queda em casa.



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