segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O antigo sobrenome da Nona Giulia

Zuanon é mesmo um sobrenome muito antigo. Segundo o historiador Paolo Mioto:

"Zuanon: anche questa forma cognominale, oggi assai diffusa in tutto il comprensorio cittadellese, era presente nel 1409 a Campretto con Berto Zuanon e altri eredi della stessa schiatta. Lo stesso Berto era anche vassallo del monastero di S. Croce di Campese lavorando a Campretto sette appezzamenti di terreno di varia natura per i quali versava un canone annuo di 6 lire, 10 soldi e 2 soldi piccoli, al quale andava aggiunto l’onoranza di un paio di galline. Il cognome é un derivato alterato del nome personale ebraico Giovanni che significa Dio ha avuto misericordia. Gli Zuanon di Borghetto provengono da S. Giustina in Colle da dove giunsero agli inizi degli anni Cinquanta."

Fonte: https://storiadentrolamemoria.wordpress.com/tag/cognomi/

Percebamos que há 505 anos o sobrenome Zuanon já existia (e antes sequer do Brasil existir), sendo derivado da forma hebraica de Giovanni, que pode ser traduzido como "Deus teve misericórdia". 

Campretto, lugar em que o então vassalo Berto Zuanon lavorava é distrito de San Martino de Lupari, cidade onde meus trisavós se casaram. O monastério foi fundado em 21 de Janeiro de 1155 por autoria do Papa Adriano IV (um papa de nacionalidade inglesa, o único aliás). O site da paróquia de San Martino assuegura que porém, já haviam edifícios religiosos no local no ano 1000.






A primeira paisagem no Brasil

Observem essa imagem. Ela corresponde a um registro do Rio de Janeiro, mais precisamente à praia de botafogo, na década de 1880. Essa deve ter sido uma das primeiras imagens que Giovanni Batistta Pollo viu aqui, (meu tio bisavô):


Encontrei nos arquivos do Arquivo Nacional o registro que confirma que meu tio era destinado inicialmente ao Rio ao invés de São Paulo. Sabe Deus o motivo da alteração do destino. Na consulta ao sistema do acervo (SIAN), podemos observar:


No documento digitalizado, encontrei o registro correspondente. O curioso é que além do navio dele ter passado no RJ antes de SP (ao contrário dos outros que trouxeram meus familiares), o nome dele foi grafado na lista original de passageiros com 2 L:



sábado, 3 de janeiro de 2015

Uma estranha data divergente

Existe um Site, o Emigrazione Veneta, que possui milhares de registros de imigrantes italianos. Lá estão diversos familiares meus.

Mas um registro me intriga:


COGNOME: Bortolotto Antonia
DATA NASCITA: 1839
PATERNITA: di Luigi e Montiron Santa
CONIUGE: Polito / Polo
ARRIVO IN BRASILE: 08-12-1887 S.Paolo *

Com certeza, é minha trisavó. Mas a data de desembarque é muito diferente da data de chegada em Santos. O desembarque ocorreu em 06/05/1887, pelos registros do memorial do imigrante de São Paulo, a qual estão corretos.

Outra curiosidade do registro é que ela reservou "Polito / Polo" para identificação de seu esposo, e no de meu trisavô, apenas o casamento com ela. Seria isso o que exatamente?

Pesquisando o registro de meu bisavô neste site a data é a mesma. Me pergunto o que poderia ter levado a esta data diferente. Sete meses é estranho, muito estranho....




sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Os desembarques dos Molisin

Faz tempo que não escrevo, e quem sabe, tentarei adicionar novas informações a partir de agora.

Depois de pesquisar um pouco, consegui desvendar o desembarque da Família Molisin (as vezes grafada como Monesini, Monesin e assemelhados).

Como dito em outros posts, essa família possui grande interface com o Polo/Polito: Silvestre (ou Silvestro) foi padrinho de casamento de meu bisavô, e sua irmã, esposa do João (Giovanni) Polito, meu tio-bisavô.

A charada começou a ser sacada quando no percebi que no site do Archivio di Stato di Venezia tinha a grafia correta do sobrenome: Molisin:

Molisin Silvestro
di professione: Contadino
figlio di Molisin Luigi di professione Contadino e Pozzato Maria
Nato il 23/12/1872

Luogo di nascita: San Stino di Livenza (Venezia)
Distretto Mandamento: Portogruaro

Segnalazioni dell'emigrazione: America passaporto 5 gennaio 1887
Numero di estrazione: 173

Lista di leva del comune di: San Stino di Livenza
Numero del registro: 156
Numero d'ordine: 18
Segnatura: Ufficio di leva di Venezia, Liste di leva

A partir dessa informação, as coisas ficaram mais fáceis, principalmente porque consegui determinar a chegada de sua família aqui (a viagem durava cerca de 33 dias), e no caso deles, o desembarque ocorrera em 13/02/1887, e no navio BOURGOGNE e ao contrário de meus antepassados rumaram diretamente para Ribeirão Preto, creio que provavelmente para a Fazenda Guatapará.


Isso se torna interessante, pois facilita  a dedução que meus familiares ficaram pouco tempo em outros locais, e rumaram para nossa região até provavelmente antes do que pensei.

http://museudaimigracao.org.br/acervodigital/livrodetalhe.php?livro=004&pagina=236&familia=62680

Livro Página Família Chegada Sobrenome Nome Idade Sexo Parentesco Nacionalidade Vapor Est.Civil Religião
004 236 62680 13/02/1887 MORESIN LUIGI 40
MDO ITALIANO BOURGOGNE C
004 236 62680 13/02/1887 PAZZATO MARIA 40
MER ITALIANO BOURGOGNE C
004 236 62680 13/02/1887 ANGELA 17
ITALIANO BOURGOGNE S
004 236 62680 13/02/1887 SILVESTRO 14
ITALIANO BOURGOGNE S



Outra coisa interessante são os nomes de seu pai (Luigi Molisin, 1837), mãe (Maria Pozzato, 1837), e finalmente minha tia-bisavó, Angela, 3 anos mais velha (1870) que Silvestro (1873). Ela foi, a provável inspiradora de tantas Angelas que temos em nossa família.

Silvestro, se casaria na Fazenda Guatapará em 10/10/1892 com Herminia Gasparetto, retornaria à Italia em visita com as filhas Elvira e Ida em 16/06/1911, sendo também padrinho de casamento de meu bisavô em 1900.

http://museudaimigracao.org.br/acervodigital/livrodetalhe.php?livro=05B&pagina=017&familia=35000

Livro
05B
Página
017
Família
35000
Número Ordem
1
Chefe
1
Sobrenome
MOLESIN
Nome
SILVESTRE
Parentesco
CHEFE
Nacionalidade
ITALIANOS
Idade
37
Estado Civil
CASADO
Procedência
Destino
CRAVINHOS
Vapor
Chegada
16/06/1911
Nacion. Trad
ITALIANA - 16
ContaGov Sexo
M
Religião
CATHOLICA
Ler
SIM
Profissão
AGRICULTOR
Fazendeiro
ALFREDO AMANTES
Observação
Notas
Dest_Est Res_Local
CRAVINHOS
Res_Pais Res_Tempo
10 ANNOS
DesemBra Não Bra Bra_Lugar Bra_Tempo
PQEntraram Repatriado
Porto Emb. Ferrovia
Data Nasc. Data Part. Filiação Introductor
Condição Lugar Nasc.
Livro Página Família Chegada Sobrenome Nome Idade Sexo Parentesco Nacionalidade Vapor Est.Civil Religião
05B 017 35000 16/06/1911 MOLESIN SILVESTRE 37 M CHEFE ITALIANOS CASADO CATHOLICA
05B 017 35000 16/06/1911 ELVIRA 13 F FILHO ITALIANOS SOLTEIRA CATHOLICA
05B 017 35000 16/06/1911 IDA 9 F FILHO ITALIANOS SOLTEIRA CATHOLICA

Angela, se casaria na Fazenda Guatapará em 28/02/1889 com Giovanni Polito.


segunda-feira, 10 de março de 2014

Como é possível sentir saudade do que não se viveu?

Essa frase é ao mesmo tempo estranha e curiosa, mas verdadeira: Como é possível sentir saudade do que não se viveu? Vendo algumas fotos que copiei de sites relacionados à Fazenda Guatapará, tenho essa sensação. Mudei de lá pequeno, e fui até quando menino (cerca de 10 anos) visitar meus avós e uma tia que ainda lá moravam. Vejam essas fotos, não dá essa saudade?




A foto da mãe da nonna

Num ato muito gentil, recebi de Arlete, uma descendente direta do casal Angelo e Enrichetta, um verdadeiro presente: uma foto da própria Enriqueta Antonelli, ou seja, mãe de minha bisavó Giulia:


Como já disse neste site, Enrichetta Antonelli nasceu em 1851 na cidade de San Martino di Lupari, na comuna de Padova, se casa com Angelo Zuanon em 05/10/1875 (com o detalhe de sua assinatura, ou seja, ela era letrada - algo muito raro para uma camponesa pobre italiana), e emigra para o Brasil, desembarcando em Santos no longínquo 03/08/1892. Provavelmente falecera em Cravinhos-SP, após o ano de 1900 com certeza.

Outra raridade é a foto de seu filho Francesco Giuseppe, que se tornaria apenas José no Brasil, e de sua esposa, Maria Pecorari:





Agradeço, em nome de todos, a grande contribuição!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Dove non c'è vino.....Birra dal Ribeirão Preto!!!!!!!!!!!!!!!

Todo mundo conhece Ribeirão Pelo chope do Pinguim, que aliás é muito bom. Essa casa é mais uma das muitas heranças da Cervejaria Paulista, a Antarctica, que se fixou aqui no ano de 1911. A cidade girou por muito tempo por volta dela. Míticas serpentinas levariam a bebida direto da fábrica ao Pinguim, as sirenes que regulavam não só a fábrica, mas o horário da cidade, onde alguns não usavam sequer relógio - confiavam mais na fábrica que em seus dispositivos.

Mas muito se engana quem pensa que foi essa fábrica que iniciou a tradição cervejeira aqui nesta minha terra....

Ribeirão está em cima do famigerado - e muito maltratado (principalmente pelo DAERP, né prefeita?) aquífero guarani. Fica entre os rios Mogi-Guaçu e Pardo. Ou seja, água de qualidade, sempre teve. E em uma terra onde a uva não se adapta tão bem em função do calor, o que devemos beber? Essa pergunta deve ter sido feita pelos nossos fratelli nos anos 1880-90. A resposta foi clara: Birra!!!!!!!!!!

Extraído do site: http://www.dihitt.com/barra/fabrica-de-cerveja-livi-bertoldi

"O hábito de beber cerveja fora introduzido na cidade de Ribeirão Preto pelos imigrantes, eles a fabricavam de maneira artesanal, até surgirem as primeiras indústrias, que se tornaram algumas das mais importantes da cidade. Desde 1878, funcionava na vila uma pequena fábrica artesanal de cerveja, mas a bebida, ruim de doer, era mais utilizada como remédio contra febre. Em 1892 haviam dois pequenos fabricantes de cerveja no núcleo colonial. Então os imigrantes italianos, que sentiam falta do vinho, mas não pensavam em plantar uvas naquele febrão do Sol, ousaram fabricar uma cerveja de qualidade, a primeira grande fábrica fundada foi a de Livi & Bertoldi, tendo sido a terceira fábrica da cidade.

Quarto Bertoldi nasceu em Lavarone, Itália, no dia 27 de julho de 1876. Filho de Ezequiel Bertoldi e Anastácia Bertoldi, chegou ao Brasil no dia 26 de novembro de 1890 desembarcando no porto de Santos com 14 anos de idade, se deslocando para São paulo onde residiu e trabalhou em casas comerciais até 1896.
Em 1896, chegou a Ribeirão Preto para visitar os amigos e ficou.
Em 1900, Quarto Bertoldi associou-se a Salvatore Livi (Salvador) e fundaram uma fábrica de cerveja de alta fermentação, gazosas, licores e xaropes que, em algumas décadas, traria fama àquele italiano e se transformaria, como até hoje o é, numa referência simbólica nacional e produto de grande consumo na cidade. Esta cervejaria esteve situada à Rua Capitão Salomão, na área conhecida como Barracão, onde nessa época começava a se configurar o eixo de comércios e indústrias da terceira seção do Núcleo Colonial Antonio Prado, ela veio se reunir às outras três cervejarias já existentes no Núcleo: a de João Bernardi & Irmão, a de João Betoni localizadas no Barracão e a de Ernesto Esquibole localizada no Tanquinho."


Ou seja, nos anos 1900 existiam pelo menos 3 micro-cervejarias em RIbeirão, em iniciativa de famílias como Bertoldi, Livi, Bernardi, Betoni e Squibole...

Aqui, graças a Deus, as cervejarias artesanais estão retornando, e voltando a se destacar numa luta desigual com as mega-cervejarias, que produzem uma água amarela com álcool de milho que elas chamam de cerveja...

Hoje temos aqui a Colorado, a Lund e a Invicta. Artesanais, maravilhosas e sem milho, soja, álcool injetado e todos os outros aditivos que as grandes cervejarias colocam para a população massiva e acéfala se embebedar.

Eu gostaria de sugerir à elas alguma cerveja em homenagem à Italia. Não sou especialista, mas quem sabe algo de pignoli, avelã, sabe mais o que...que combine com presunto cru e parmesão...

Se criarem, me convidem para o primeiro gole.....