terça-feira, 4 de junho de 2013

A Família da Irmã Mais Velha da Nonna Giulia Zuanon

Legal. Muito Legal. Show de Bola. Um ramo da família gerada pela Paolina, irmã mais velha da nonna Giulia Zuanon tem um encontro anual. Que coisa linda, parabéns!!!

Paolina, na verdade Paola Angela Zuanon, nasceu em Santa Giustina in Colle (PA) em 25/09/1876, que se casou com Ferdinando Menegatti em data e local que não descobri em minhas pesquisas. Seu primeiro filho, Angelo Menegatti nascera 26/06/1900 na cidade de Cravinhos.

Após isso, a única menção que encontrei deles foi de um grupo de estudos onde dizia-se terem ido para a cidade de Jaú, mas nada que pudesse confirmar. Não sei onde faleceram.

O encontro dessa família ocorre na cidade de Caarapó, no Mato Grosso (que coisa, não?) e realmente me emocionou:


Sonho em fazer algo por esses lados aqui também. Aos Menegatti de Caarapó, se tiverem mais informações e fotos de Paolina ou Ferdinando, será um prazer publicar.

Parabéns!!!!

domingo, 26 de maio de 2013

As matas na Guatapará e outras coisas curiosas

A interessante publicação "Filhos do Café" disponível no site da Prefeitura de |Ribeirão Preto tem fotos e dados impressionantes:

A primeira coisa diversa que achei mostra a então Fazenda Guatapará em 1889 (ano do casamento de Giovanni Polito, na época em que provavelmente meu bisavô Lino teria morado). Observem o cenário: As matas atrás da colonia de casas. Uma foto maravilhosa:


Uma foto que mostra o então fundador Martinho Prado cuidando pessoalmente da Fazenda:



Outra coisa curiosíssima é a descrição que Monteiro Lobato faz da cidade de Ribeirão em carta a um amigo em 1907. Fala das prostitutas europeias,  de sua diferença com as cidades paulistas e mineiras e também uma coisa bacana -  já se bebia por essas bandas Champagne:


Rangel,

Estou seriamente endividado para contigo, em cartas, livros, cumprimento de promessas, pedaços de queijo... Mas explica-se a má finança. O mês de dezembro passei-o todo fora daqui, em S. Paulo e no  Oeste. 

Corri as linhas da Paulista, Mogiana e Sorocabana, com paradas nas inconcebíveis cidades que da noite para o dia o Café criou - S. Carlos, um lugarejo de ontem, hoje com 40 mil almas; Ribeirão Preto, com 60 mil; Araraquara, Piracicaba a formosa e outras. Vim de lá maravilhado e todo semeado de coragem nova, pois em toda a região da Terra Roxa -um puro óxido de ferro - recebi nas ventas um bafo de seiva, com pronunciado sabor de riqueza latente. 

Em Ribeirão, a colheita do município foi o ano passado de 4 e meio milhões de arrobas -coisa fabulosa e nunca vista. Um fazendeiro, o Schmidt, colheu, só ele, 900.000 arrobas. Costumes, hábitos, idéias, tudo lá é diferente destas nossas cidades do velho S. Paulo e da tua Minas. Em Ribeirão dizem que há 800 “mulheres da vida”, todas“estrangeiras e caras”. Ninguém “ama” ali à nacional. O Moulin Rouge funciona há 12 anos e importa champanha e francesas diretamente. 

A terra-chão, porém, é uma calamidade -”enferruja”, isto é, avermelha todas as pessoas e coisas, desde a fachada das casas até o nariz dos prefeitos. Vai um pacotinho de amostra. Não pense que é tinta, não. Lá ninguém mora; apenas estaciona para ganhar dinheiro. Esse meu passeio de 3.453 quilômetros de via férrea buliu muito com as minhas idéias. 


[...] Eu mesmo gostaria de firmar-me por lá [...] Estou tentando ser nomeado para Ribeirão Preto... (Lobato, 1950 pp. 153-155)

Maravilhoso, não?

Mais sobre o Padrinho do nonno

Silvestre Molesin (ou Monesin). O padrinho do nonno permitiu mais uma interessante descoberta. Ele conseguiu viajar para a Italia novamente junto com 2 filhas, aparentemente a passeio. No memorial do Imigrante é seu registro de retorno ao Brasil:


Aparentemente viajara com duas filhas, Elvira e Ida. No rodapé, dados de residência em Cravinhos há 11 anos, e o Fazenda de Café que morava, pertencente à Alfredo Arantes.

Isso prova que os Italianos aqui visitavam seus parentes na Italia. Laços desfeitos com o tempo, infelizmente...

terça-feira, 21 de maio de 2013

A trágica epidemia de varíola em 1887 de São Simão


Janeiro de 1888. Ao tentar encontrar o óbito de meu trisavô Pietro Polo em São Simão (onde sei que a família também morou), encontrei um registro impressionante. Ao contrário dos registros comuns, a epidemia obrigou o vigário P. Angelo Jose Philidory Torres a registrar de forma resumida e específica a tragédia que se abateu sobre a então principal cidade da região, maior que a pequena Ribeirão Preto:

"Nota= No dia nove de Setembro ultimo, foi esta Villa accomettida pelas bexigas; a população retirou-se quase toda ficando somente na villa os desvalidos de meios para fugir, alguns negociantes levados mais pelo interresse do que pela philantropia, a colonia de estrangeiros que trabalhavão na nossa Matriz e o vigário da parochia e dois medicos que a bem da humanidade não recuaram diante de terrível morbo e combateram-no com tanta energia e intellygencia que em menos de tres meses puderam dar alta a todos os doentes do  Lazareto e  declarar extinta a doença variola. O numero de acometidos elevou-se a noventa e quatro e trinta e nove foram as vitimas. Si em fim de Dezembro findo pudemos organizar uma lista exacta, quanto é possível em semelhantes casas das que sucumbiram a fatal doença e foram enterrados em um cemitério ad hoc, a qual vai transcripto n´este livro de obitos par servir em caso de necessidade"

A tabela na impressionante e histórica imagem abaixo:





segunda-feira, 20 de maio de 2013

O antiquíssimo sobrenome Veneziano Polo

Polo tem diversos significados se pesquisarmos em  páginas diversas na Internet. Parece vir de Paulus, e que teria origem na Dalmácia (região Católica Romana da atual Croácia). Trata-se especificamente de uma região que abrange territórios da CroáciaBósnia e Herzegovina (Neum) e Montenegro (Bocas de Cattaro), na costa leste do Mar Adriático, estendendo-se entre a ilha de Pag a noroeste e a Baía de Kotor a sudeste.

Sem dúvida tem origem no trecho oriental do Vêneto, parte mais oriental da Itália. Supor que podemos ser da mesma linhagem do navegador Veneziano Marco Polo é sem dúvida instigador, mas encontrar documentos com cerca de 1000 anos com o sobrenome da Família da minha mãe é simplesmente fantástico:



Esse documento é um trecho de arquivo de um índice de documentos medievais,  da Biblioteca Marciana, no  Cathaloghi Storici Digitalizzati da Biblioteca Digitale Italiana - "Cataloghi di codici italiani. Catalogo manoscritto. Indice alfabetico", disponível em http://cataloghistorici.bdi.sbn.it/indice_cataloghi.php?OB=Biblioteche_Denominazione&OM=

Fantástico, não?


A outra irmã do Nonno - Stella

Graças a ajuda on-line (de novo) de 2 bons pesquisadores (Leandro Carmona e Marcelo Nomellini), encontrei o que acredito ser a outra meia irmã, por parte de pai, do meu bisavô Lino. Stella, nascida em 1870 em Santo Stino di Livenza, casou-se aqui na Região de Ribeirão com Pietro Giroldo em 04/04/1888:



Outra coisa que reforça a suspeita que ela seja mesmo a irmã mais velha, é o nascimento de uma filha em 22/06/1894 na cidade de Sertãozinho, Rosa:


Esses dois registros tem informações muito interessantes:

  • O marido dela, Pietro Giroldo, era Vêneto também.
  • Ela morou em Sertãozinho, mesma cidade em que sua outra irmã, Domenica teria morado
  • Ela colocou na filha o mesmo nome de sua falecida mãe na Italia, Rosa
  • Confirma-se que o meu trisavô já era falecido bem antes de 1894 (o registro de casamento não tem essa informação)
  • O nome do meu trisavô já era grafado como Pedro Paulo, igual a homenagem do seu filho Lino ao seu caçula, meu avô Pedro Paulo.
Mas agora surgiram mais perguntas que respostas. Como nunca falou-se nessas duas irmãs, aparentemente tão próximas? Porque o meu irmão por parte de mãe Giovanni Polito era tão mais bem próximo que suas meias irmãs por parte de pai? Que fazenda de Sertãozinho teriam vivido?

terça-feira, 7 de maio de 2013

Quem diria - O Domenico se transformou em Domenica....

Sem maiores preconceitos, a frase acima tem um contexto bem diferente nos dias atuais se comparados ao tempos do longínquo 1893. Mas graças à mais uma grande ajuda do pesquisador Leandro Carmona, encontramos o que acredito ser o "irmão" perdido do nonno Lino.

Eu sempre achei estranho ele não estar na relação do Archivio di Stato Veneziano, mas agora tudo faz sentido. Esses arquivos só relacionavam os meninos, e era muito esquisito o menino registrado no desembarque como Domenico não ter sua saída registrada na Italia.

Encontrou-se um registro de casamento em 27/05/1893 registrado na Matriz de Ribeirão Preto onde casavam-se Domingas Paulo e Eugenio Michelan. 

Assim como aconteceu com o desembarque de minha bisavó Giulia, os registros de desembarque muitas vezes erravam o sexo das crianças ao se registrar. Domenico então, era Domenica, que em Português se converteu em Domingas.

Muitos indícios levam a crer se tratar da mais nova irmã do nonno Lino: são compatíveis a idade, o nome dos pais (registrados como Pietro Paulo e Rosa Paulo - ela era apenas meia irmã do nonno, filha do segundo casamento de meu trisavô com Rosa Taurico) e o local de seu nascimento (grafado pelo padre como Cestina de Livença, e que acredito ser Santo Stino di Livenza) em Venezia.


Um detalhe muito interessante, muito mesmo: o pai da noiva (Pietro) já era falecido em 1893. Isso quer dizer que o pai do nonno faleceu entre 1886 e 1893 ao menos, muito pouco tempo.

Boa descoberta, não?