segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A importância dos dados históricos - a violência documentada

Os cartórios ainda não haviam chegado. A única instituição conhecida era a Igreja, e ela mantinha uma forma de controle de registros consideravelmente efetiva. Batismos, Casamentos e Óbitos eram relativamente bem descritos.

Bem verdade, dependia muito do padre. Haviam padres que possuíam uma grafia quase pecaminosa, verdadeiros sacro-garranchos.

Já outros, ah, que benção (como diria minha sogra). Registros com muitos dados, grafia impecável. As vezes, o padre esforçava-se para relatar a causa mortis. Surgiram causas peculiares, como "bronquite intestinal" e coisas do gênero.

Dentre estas riquezas, registros de importante valor histórico: O primeiro caso de violência contra a Mulher documentado em 1875, crimes. Nos registros que seguem, até o nome do assassino é incluso nos autos sagrados.

Os dados são dos registros da Arquidiocese de Ribeirão Preto e obtidos no site da Igreja Mórmon.


Data Nome Pai Mãe Nascimento Idade Sepultamento Cônjuge Observação
05/03/1875 Maria Joanna 18 anos Cemitério Da Matriz Miguel Botas Primeiro Assassinato (assassinada e queimada pelo marido)
23/11/1885 Manoel Simões Menino Portugal - Freguesia de Frebes 25 anos Cemiterio D´esta Villa Morreu assassinado a faca no Chravinhos. Portugues
22/12/1881 Joaquim Manoel de Oliveira 40 anos Cemiterio D´esta Villa Foi assassinado
27/08/1886 Joaquim Teixeira da Silva Oliveira 35 anos Cemiterio D´esta Villa Anna de Tal, Dona Assassinado
03/05/1889 Manoel 28 anos Cemiterio D´esta Villa morreu assassinado
02/10/1890 Galdino Ribeiro ignorada Cemitério do Sertãozinho Assassinado na fazenda do Ilmo. Sr. Eupidio Eugenio Gomes por Angelo Mantuam
21/01/1893 Francisco Antonio Alves desconhecida 60 anos Fazenda de Jose Carvalho Terra Maria das Dores foi assassinado
27/02/1893 Antonio Tavarez Portugal 30 anos Fazenda do Dr. Gregorio Maria de Tal foi assassinado no viaducto
03/04/1892 Euphrozyno Alves Pereira 56 anos Cemiterio D´esta Parochia Maria Victoria morreu assassinado com tiro na cabeça em sua residencia. Primeira morte com arma de fogo registrada
04/04/1892 João Cerollo desconhecida Italia 30 anos Cemiterio D´esta Parochia morreu assassinado por uma faca instantaneamente
30/06/1892 Jose Luiz de Carvalho Rio de Janeiro 22 anos Cemiterio D´esta Parochia faleceu de tiro, apontamento da profissão: soldado
21/08/1892 Maria Antonia dos Prazeres Joaquim Mendes dos Santos Gertrudes Maria da Silva Passos, MG 16 anos Fazenda de Francisco Schimidt morreu por tiro que desfechou em si - suicídio
01/12/1892 Jose Martins de Arruda desconhecida 35 anos Capela da Serrinha Rufina, filha legitima Jose Soares Bicudo faleceu de tiros
11/04/1893 Victorino Gonsalves da Silva desconhecida Goyaz 30 anos Cemiterio D´esta Parochia faleceu assassinado no bairro corrego do esgoto
22/04/1893 Agostinho Pereira Seabra desconhecida Minas Gerais 30 anos Cemiterio D´esta Parochia faleceu assassinado  
09/01/1901 Jose Venancio Landim 30 anos Fazenda do Esgoto Virgolina Euphrazia de Jesus faleceu assassinado na Fazenda do Esgoto
06/08/1893 Anna Barbosa de Freitas Desconhecida 17 anos Cemitério Municipal João Fortura faleceu de tiro
09/02/1892 Raphael Duziaca desconhecida Espanha 35 anos Fazenda Lageado Luiza Ferbuy faleceu de tiro na fazenda lageado
01/05/1901 Joaquim Emygdio da Silva desconhecida São João de Jaguary, RJ ou BA 35 anos Cemitério Municipal Francisca Alves de Godoy foi assassinado
26/05/1895 Jose Moreira Capella desconhecida Portugal 39 anos Cemiterio Municipal Mathilde de Tal faleceu por tiro
30/03/1896 Giuseppe Campagnolla desconhecida 28 anos Cemiterio Municipal assassinado a faca. Italiano
31/08/1897 Francisca Maria 32 anos Cemiterio Municipal faleceu assassinada
24/04/1899 João Baptista desconhecida 42 anos Cemitério não identificado Baptista ? registro estranho,foi assassinado
13/06/1899 João   desconhecida 50 anos Cemitério não identificado Carolina Fornice faleceu de tiro. Parece ser italiano
12/06/1901 Joaquim Ferreira Jose Pereira Roiz Thereza Maria de Jesus Capirosa, Portugal 40 anos Fazenda Piripau ? faleceu assassinado
13/08/1901 Pedro desconhecido 29 anos Cemitério Municipal Maria Infanti faleceu de tiro, parece ser italiano
25/09/1899 Fortunata Maria da Conceição desconhecida 20 anos Cemitério não identificado Alexandre foi assassinada
28/11/1900 Silvino Anselmo de Siqueira desconhecido ignorada Fazenda Pau d´Alho de Francisco Schimidt faleceu assassinado
18/09/1901 Adriano Vieira Amaro Francisco Amaro Maria Catharina de Jesus Aguirão, Portugal 25 anos Cemitério Municipal faleceu de tiro

domingo, 6 de janeiro de 2013

Dos vinhos na minha casa

Algumas coisas não me conformam. Uma delas é dizer que a bebida alcoólica é uma droga. Droga é o escambau. Se eu tomar alguns litros de água numa frequência maior que meu organismo suporta, provavelmente sentirei algo de ruim, algum mal me fará.

Desde que consiga me lembrar, na minha casa sempre houve uma garrafa de vinho. Em contrapartida, nunca vi ninguém bêbado. Nunca mais que um cálice para acompanhar uma boa macarronada. Nunca vi uma briga sequer entre meus pais nesses mais de 30 anos.

Conheço uma pessoa que não bebe, por se lembrar de uma tia que morreu. A mulher era boêmia, vários amantes ao longo da vida, não dormia bem, não comia adequadamente, não tinha uma casa com todos parâmetros de higiene desejada, por anos e anos. E a culpa da morte dessa tia seria a coitada da pinguinha que ela tomava de vez em quando. Pura bobagem.

O problema é o homem - e não o pobre do vinho, da grappa, da cerveja e afins. Colocamos nossa covardia   egoísta à tona classificando coisas de forma a qual não são. Drogas somos nós.

Outra coisa destacável é que quem sabe, gosta e entende de vinho não abre uma garrafa de vinho para dar um gole. O vinho sempre acompanha um prato. É um elemento de uma boa refeição.

Voltemos ao vinho. Para mim, não há nada mais gostoso que uma boa taça de vinho tinto acompanhando uma pizza, um ragú qualquer. Reservo-me o direito de toda quarta-feira a noite apreciar um vinho razoável com algúm acompanhamento. Meus favoritos são um pedaço de parmigiano, um pouco de presunto crú e o vinho tinto.

Vinho para mim, assim como caffè, deve ser forte. A vida precisa ter sabor. Vinho tinto, caffè forte, chocolate amargo, sempre. 

Queijo frescal, café fraco e McDonald´s poderiam sumir da face da terra por mim sem nenhum problema. Morte ao fast food.  Vinho doce então é caso de internação por demência (não me refiro ao Porto, ou aos fortificados, e vinhos doces pelo açucar da uva, mas às porcarias licorosas que teimam em chamar de vinho e que abundam as gondolas de supermercado).

A Itália é a terra do vinho. Abaixo, minha combinação amada. Comer um pouquinho disso toda quarta, é para mim uma forma de Deus recompensar-me por algo de bom que tenha feito nos últimos dias. A seguir, as cenas desses pedaços de paraíso:





Tem coisa melhor????


sábado, 5 de janeiro de 2013

Das Igrejas e os Italianos

Teólogos e historiadores atribuem à Igreja algo como uma corrida de bastão - e que só vale  se for criada por um apóstolo de Cristo ou um dos 70 que o seguiram, ou os que seguiram sua linhagem teológica. Ou seja, Igreja é a Católica, a Ortodoxa, a Malankara, a Caldéia, a Armênia, a Copta, Etíope, a Síria, a Russa, a Anglicana, a Luterana. Tudo que foge a este conceito é uma seita, pois foge da própria etimologia da palavra IGREJA, derivada do  grego εκκλησία (ekklesia) ou latim (ecclesia).

Opiniões a parte, acredito que se mudasse de religião estaria automaticamente condenando todos meus antepassados. Sinceramente não acredito que o fato de um bisavô meu ter sido católico ou não seja fator preponderante para sua alma arder o fogo eterno. Da mesma forma, não é item de salvação. Então, logicamente se isso não é fator condenante, seguirei como meus familiares: católico apostólico romano até o final dos meus dias. A igreja católica é a que sepulta em sua principal basílica São Pedro e São Paulo, no local onde  segundo a história São Pedro, crucificado de cabeça para baixo disse ao segundo papa, São Lino antes de morrer: "tu és Pedro", atribuindo assim ao próximo bispo de Roma a mesma tarefa que Cristo o entregou tempos antes e tão bem descrita no evangelho de São Matheus.

A igreja já teve um papel mais importante na vida da família. A correria do dia a dia, a confusão que nos leva a depender do dinheiro e extraviar nosso caminho para outras seitas, a crise conjugal de nossos erros e que pecaminosamente jogamos a responsabilidade de sua correção no nosso "pobre" Deus, que sempre fez seu papel ao contrário de nós.... Mas voltando ao papel histórico e social, a igreja sempre foi um ponto importante no cotidiano dos Italianos no Brasil.

A Igreja era um dos pontos de convivência social da comunidade Italiana. A igreja registrou muito de nossa história antes de que os cartórios de registro civil tivessem a capilaridade que hoje possuem. 

Na Fazenda Guatapará meu pai foi batizado, crismado e casado, assim como outros tios da minha família paterna. Lá também foram casados meus tios bisavós maternos Giovanni Polito e Angela Monesin, assim como a provável missa de 7° dia da morte de sua filha Augusta, ocorrida provavelmente em 15/11/1894. As fotos abaixo são dessa templo simples, mas belo e muito importante para mim e diversos outros descendentes de Italianos.






A foto que segue é desesperadora, e mostra a falta de respeito de duas famílias de Italianos, uma dona  que comprou as terras, e a outra da família que administrou antes de vender. Também tem parte nessa desgraça um famoso político nacional, que jovem foi administrador da Fazenda, e que para minha surpresa também descende de Italianos. Ou seja, Italianos que cuspiram no prato em que tanto comeram, pois foram inúmeros os sacerdotes católicos que fizeram não só papel religioso, mas também social, numa época que o migrante europeu era tratado semelhantemente ao pobre coitado ex-escravo negro:


Esse local é exatamente onde a igreja da Fazenda Guatapará existia. Foi miseravelmente demolida, como toda a fazenda, exceto o cemitério, hoje abandonado e o benefício de café. Que sejam corretamente julgados por Deus, e que o ministério público e os órgãos de preservação do patrimônio histórico não permitam que sumam com os dois, aliás, deviam exigir sua restauração. Mas acho que estou sendo exigente demais para um país que ao contrário da Itália,  nada faz pelo seu passado.

Mas nem tudo é tristeza. Meus bisavós Lino e Giulia se casaram em Cravinhos no ano de 1900, na paróquia de São Jose (mais precisamente na capela São Benedito, pois ela foi erguida em 1888, e a Igreja principal de São José seria finalizada apenas em 1905):


Essa igreja sofreu um duro golpe em 24/02/2009: ela desabou após uma forte chuva:



Num ato heroico e exemplar, a paróquia e a comunidade se organizaram e restauraram o prédio, num sinal de amor e respeito não só a instituição, mas a arquitetura e a história da cidade e porque não, de tantas famílias Italianas que lá passaram (imagens do site da arquidiocese de Ribeirão Preto):




Nessa igreja casaram-se ao menos mais 2 irmãos de minha bisavó Giulia, assim como batizado um sobrinho de meu bisavô, que se chamara Lino também (provavelmente em sua homenagem).

Outra igreja de destaque é a Catedral de Ribeirão Preto, onde meus avós maternos se casaram, e que conserva e suas atas muito da história de minha família de tantas outras famílias Italianas:




Descreverei mais em outros posts com mais exatidão as preciosidades arquitetônicas que temos aqui em Ribeirão Preto, no tocante a nossas Igrejas.



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Das Heranças e da Posteridade

Quando se pensa em herança, logo na sequencia pensamos em dinheiro, as vezes em litígio, em imóveis, ouro,etc.

Meus Italianos eram pobres. Disso não há dúvida alguma. Desembarques com várias crianças e uma ou duas malas, num país quente, cheio de doenças e que ninguém, exceto os fratelli da Itália, conheciam sua língua  Esse é o perfil do Italiano que migrou ao final do século 19.

Quando me casei senti uma grande diferença. Não por minha esposa (muito paciente por sinal), mas demorou certo tempo para entender que essa diferença era minha herança: a cultura que os imigrantes italianos trouxeram consigo e que luta para não morrer em nossos lares. O curso de Italiano foi fundamental para tal entendimento.

Brigas e amores diários num frequente amor /ódio quase passageiros , comprar tomate em toda ida à quitanda. Vinho sempre presente, a culinária cheia de pratos, sabores e palavras: gnocchi, mangerona, basílico, brodo, risoto, pizza, azeite de verdade, pasta, pimenta calabresa, polenta, uva, caffè, queijo, alcachofra  etc,etc,etc. A macarronada de domingo, é nosso maior bem cultural. A data do Natal, nossa fé católica, com nossos veneráveis Santos, igrejas e ritos.

Os cabelos também são parte da herança: nós descendentes masculinos que vos digam, com nossas reluzentes e diversas carecas, falhas e entradas.

Nosso dever passa pela manutenção, resgate e perpetuação dessa verdadeira riqueza.Viva nossa ancestralidade, viva nosso povo.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Os Polito de Guaranésia-MG

Meu nonno tinha 3 irmãos. Aliás, 3 meio-irmãos confirmados e a lenda de um quarto, mas nada que pudesse confirmar.

Stella, a mais velha e Domenico, o penúltimo, não faço até agora ideia de como se sucederam no Brasil. Já Giovanni Polito, que aqui se tornaria João Polito, se tornou o único irmão que conheceria até muito pouco tempo atrás.

Sobre Giovanni, ou João, sei que chegou em Amparo juntamente com o resto da família no desembarque de  Santos e anos depois ele se casou com Angela (ou Anna) Monesin, na Fazenda Guatapará em 28/02/1889. Teve na Fazenda ainda uma filha chamada Augusta, que faleceria aos 16 meses e teve seu sepultamento no cemitério da fazenda em 08/11/1894.

Segundo o primo distante Antonio Roberto Polito de Guaxupé, eles tiveram outra filha com o mesmo nome no futuro. Posteriormente sei que ele se dirigiu com a família para Guaranésia, pequena cidade de Minas Gerais, uma das pontas finais da Mogiana.

Lá, abriram uma Padaria chamada Padaria Brasileira, que ficava na Rua Santa Barbara, na foto abaixo:


Giovanni teve outros filhos. Sei que existiam Archimedes, Ricardo e uma terceira irmã. Outro primo distante da atualidade confirmou muitas histórias, uma delas que Ricardo teria assassinado a esposa (Maria Salla), por ciúmes. Na foto abaixo, Ricardo seria este com a mão ao rosto, em uma visita que ocorreu por volta de 1954 em Pradópolis. Na foto também estão João (atras de uma menina ao lado de Ricardo), um senhor ao fundo que não sei quem é, meu Tio avô Tonico e mais no canto esquerdo outra filha de Giovanni.

Minha prima Angela (filha de Tonico), descreve que na época eles pareciam elegantes, bem apresentados.


Abaixo uma sequencia as demais fotos seriam de seus filhos (Ricardo) e creio a outra ser da suposta esposa.



Um neto dele, Edelto, teria jogado na Portuguesa-SP. A foto abaixo é do campo de Guaranésia, muito antiga por sinal, visto o carro antigo.


Não tenho mais muitas informações. Recebi com muita gentileza informações do já citado primo Antonio Roberto e de Ricardo, outro primo muito gentil que forneceu fotos maravilhosas. Eu não tenho muitas informações de onde João Polito teria sido sepultado.

As fotos aqui postadas foram cortesia dos primos Ricardo Polito (Guaranésia/MG) e Mario Paulo (Pradópolis/SP) e minha tia Edna (Luiz Antonio/SP).


domingo, 16 de dezembro de 2012

A Familia Zuanon, a familia da nonna Giulia



Eu gosto do sobrenome Zuanon, porque segundo já me disseram tenho muito da personalidade da minha bisavó, que tinha esse sobrenome. A nonna Giulia possuía raciocínio rápido, mas rabugenta e um tanto quanto crítica. Ou seja, uma versão de mim usando saias, penso eu.

Poucos Zuanon vieram para o Brasil, ficou bastante fácil estudar esse ramo da minha árvore genealógica. É uma história de pessoas interessantes e que contribuiram bastante aqui para a região.

Minha mãe diz que ela e seus irmãos, junto com os primos adoravam enfurecê-la (o que não era tão difícil assim), apenas para ouvirem ela xingando em italiano. Outra coisa que minha mãe se recorda é ela, na porta de casa usando a mão como uma aba de boné para oferecer sombra aos olhos e assim tentar enxergar no horizonte os ingratos filhos que ainda não tinham chegado para o almoço do domingo.

Ao mesmo tempo que as vezes ela era um pouco ranzinza, era também uma mulher muito competente: numa época onde a mortalidade infantil era algo relativamente comum, ela perdeu apenas 1 de seus 13 filhos, chegando todos os outros 12 à idade adulta. Foram filhos: Antonio, José, Antonia, Enriqueta, Odete, Amelia, Salviano, Angelo, Pierina (a mais velha), João, Olívio e Pedro, o caçula e meu avô. Faleceu um menino logo após o nascimento, que também se chamava Pedro. Ela repetiu o nome no meu avô.

Ela deixou muitas histórias, como que meu avô foi descoberto comendo embaixo da mesa os ovos cozidos que seriam usados para rechear os frangos assados para a festa de casamento de um de seus irmãos mais velhos (que eram muitos), e segundo reza a lenda, ela defendeu seu caçula com unhas e dentes, mesmo estando errado. Outra é que seu marido, meu bisavô Lino comprou de presente para a minha avó  Iolanda  que estava grávida um corte de tecido (de gosto duvidoso) para confecção de um vestido, mas tudo escondido pois ela achava um absurdo tamanha bondade. Enfim, essa era Giulia Zuanon, uma típica figuraça, arquétipo da nonna Italiana ranzinza. Também era muito devota de Santo Antonio.


Apesar dessa rabugice, tinha de certa forma sua boa generosidade. A foto abaixo, além dela viúva e estão a tia Amelia, o Tio Olivio e meus avós Pedro e Iolanda (o cabelo da minha avó Iolanda está semelhante a um vespeiro), e alguns membros de uma família japonesa, recém imigrada a qual a nonna esteve ao lado, sendo seu sobrenome Murakami se não me engano. O destaque da foto, além do penteado da minha avó eram os trajes típicos da senhora simples Italiana: vestido e lenço escuros, numa sobriedade eterna, parecendo um luto permanente.


Giulia era filha de Angelo Zuanon e Enrichetta Antonelli, sendo nascida em Santa Giustina in Colle (cujo brazão está acima), província de Padova em 27/06/1883. Tinha outros 3 irmãos: Paola Angela (que em alguns documentos foi chamada Paolina), nascida em 25/09/1879, Francesco Giuseppe, nascido a 03/03/1879 e Corrado, nascido em 23/05/1880. Corrado parecia ser o irmão mais próximo da minha nonna, não sei o porque.

Dos irmãos da nonna consegui bastante informações. Paolina, se casou no Brasil com Ferdinando Menegatti, e constatei que chegaram a andar pelos lados de Jaú. Sei que ela também tiveram  um filho chamado Angelo, nascido em 26/06/1900 em Cravinhos, sendo padrinhos de batismo seu tio Corrado e Capelli Filomena. Não tenho dados sobre falecimento dela.

Francesco Giuseppe se tornaria simplesmente José, se casaria com Maria Pegorari (ou Pecorari) em Cravinhos em 23/06/1899. Dela, consegui descobrir que nasceu em Taglio di Po, Rovigo. Ele faleceu em 11/03/1959 e ela em 16/02/1975, ambos em Itápolis/SP, e se não em engano foram comerciantes. Tiveram como filhos ao menos Giulia, Lino, Paulo, Jose, Herminia, Corrado Sobrinho.

Há muitos dados sobre a família no site da Prefeitura de Itápolis, e merece destaque Corrado Sobrinho, que foi presidente do Oeste de Itápolis, clube de futebol. Seguem fotos suas, duas com o time de Itápolis.





Sobre Corrado (tio), pouco sei. Se casou com Amelia Scaglia em 22/11/1902. Não tenho mais dados sobre ele. Parecia ser muito querido da nonna Giulia e que morou assim comum toda a família na Fazenda Buenópolis, em Cravinhos/SP.

Hoje há muitos Zuanon, em Araraquara, Itápolis, Cravinhos (descendentes de Corrado???), Ribeirão Preto, etc. Também constatei que muitos anos após eles chegarem no Brasil, outro Zuanon desembarcou em Santos, de nome Luigi, a qual não sei o grau de parentesco.

Eu não faço idéia de onde faleceram Angelo Zuanon e Enrichetta Antonelli, meus trisavós. Outro mistério a desvendar. Sobre Enrichetta, merece um capítulo a parte - Na minha família, temos uma característica curiosa: ou são todos muito aplicados aos estudos ou são uma verdadeira negação nos estudos. A parte inteligente provavelmente descende dela, com certeza uma mulher a frente de seu tempo. Mostrarei isso em outro post.

Minha nonna e meu nonno se casaram em 06/10/1900 na cidade de Cravinhos, a qual detalharei em outro post de maneira mais adequada.

Giulia faleceu em 14/02/1961 em Pradópolis, vítima de complicações decorrentes da quebra do fêmur em uma queda em casa.



sábado, 15 de dezembro de 2012

Geronimo Francisco Camillo - Um mistério que ficou para trás

Camillo é um sobrenome diferente. Ele pode ter várias origens, Italiana, Portuguesa, Francesa e no Brasil há uma peculiaridade: segundo alguns estudiosos, os escravos negros libertados precisavam de um sobrenome, e muitas vezes adotaram o sobrenome do antigo dono, numa referência  origem (penso eu que até mesmo em uma falta de referência). Assim, também há Camillos negros.


A história do Camillo italiano terá um capítulo a parte no Blog. É muito rica.

O Camillo mais comum é de origem italiana. Não tenho dúvidas disso, mas o laço do meu sobrenome paterno com a Italia se perdeu de uma forma que até hoje tenho muita dificuldades de entender. Apenas sei que meu bisavô se chamava Geronimo Francisco Camillo e teria sido o segundo marido de minha bisavó, que estranhamente sempre foi identificada como Maria. Apenas Maria.

Ela teria se casado novamente e falecido na cidade de Serrana-SP no início da década de 80. Os familiares a chamavam apenas de "Vó Sinhá", e que além de pequena, era uma senhora muito alva e de olhos azuis.

Meu avô Antonio Francisco Camillo nasceu em Altinópolis-SP no ano de 1923 como filho natural de Maria e Geronimo. Casou-se na mesma cidade em 1944 com minha avó Rosaria da Silva (sim, como todo bom ítalo-brasileiro tenho um Silva também), falecendo em 2007 aqui em Ribeirão Preto.

O grande problema é que ele foi criado em um outro ambiente, num terceiro casamento dessa misteriosa bisavó Maria, a vó Sinhá, com um homem bem brasileiro, e muito do que seu pai deixou ficou esquecido. Ganhou novos irmãos, novos ambientes, novos costumes. Nesse esquecimento, inclusive maiores informações de sua origem precisa e até mesmo seu local de sepultamento.

Curiosamente meu bisavô faleceu de maneira estranha quando meu avô tinha apenas 7 anos. Meu avô disse a mim que eles estavam na lavoura, e ouvindo um gemido, foi a primeira pessoa a localizar o pai falecido, caído na rua de café, atrás de um tronco.

Ele se recordava que as mãos de meu bisavô estavam fechadas, como que sofrendo uma dor muito forte, e ao abrir as mãos, grãos e folhas de café, numa tentativa de se manter de pé, escorando-se num pé de café qualquer.

O mesmo café que sustentou tantos italianos, sustentou meu bisavô Geronimo até o fim. Literalmente.

Camillo é un cognome diverso. Ho molte origine di Camillo: Italia, Portogalo, Francese e nel Brasile, alcuni schiavi neri (d´Africa) que avevano bisogno di un cognome alla fine del schiavitù, e spesso ha adottato il cognome del precedente proprietario, un punto di riferimento (penso che anche in mancanza di riferimento). Così ci Camillos neri.

La storia del Camillo italiano avrà un capitolo a parte sul blog. E 'molto ricco.

Il mio Camillo è Italiano. Ma mia storia ha un problema. Lo so che mio grande bisnonno se chiavama Geronimo (Girolamo) Francesco Camillo. Fu il secondo marito dalla mia grande bisnonna, che i tutti record ha solo il nome: Maria, senza nessuno cognome.

Lei si era risposato e morto nella città di Serrana-SP nei primi anni '80. La famiglia ha chiamato semplicemente "nonna Sinha," e che, oltre a piccolo, una signora era molto bianca e con gli occhi azzurri.

Mio nonno, figlio di Geronimo i Maria si chiamava Antonio Francisco, e fu nato nella città di Altinópolis/SP nel anno di 1923. Sposò con mia  nonna Rosaria da Silva (come tutti italo-brasiliano, ho un congnome Silva nella mia famiglia). É morto nel 2007 in Ribeirão Preto/SP.

Il grande problema: mio nonno fu creato n´altro ambiente, con altro matrimonio dalla mia grande bisnonna, ma su marito era un´uomo molto brasiliano, per questo molto da mio grande bisnonno Geronimo fu stato dimenticato. In questo , molte record dala origine, dal sepolto fu dimenticado.

Ricordo che mio nonno Antonio sembrava il giorno dalla morte del suo padre, quando aveva 7 anni. Nell caffè, aveva ascoltato apena uno gemito, e fu la prima persona che ricercava suo padre morto, cadutto nella via del caffè, dietro un tronco.

Si ricordò che le mani di mio bisnonno erano chiusi, come se la sofferenza dolore severo, e le mani aperte, foglie e chicchi di caffè nel tentativo di stare in piedi, puntellare una pianta di caffè qualsiasi.

Il mismo caffè che aveva mantenuto molti italiani, mio nonno Geronimo mantiene fino alla fine. Letteralmente.